A informática educacional no Brasil
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"Longe de querer transformar o “hommo sapiens” em um “hommo informatus”,
as novas tecnologias podem e devem ser utilizadas como mais uma
ferramenta educacional.”.
Foi através dos interesses militares no início de 1960, que as
áreas de microinformática e microeletrônica tiveram um grande
desenvolvimento. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, as novas
tecnologias constituíram um dos pilares onde se tem assentado o novo
ciclo de acumulação de capital e de poder mundial, pois são componentes
obrigatórios de tecnologias. Era necessário, portanto, capacitar pessoas
para esse setor.
Anos 60 - No final dos anos 60, algumas
universidades já formavam engenheiros nessa área. Dessa forma,
iniciou-se a atuação do Brasil na informática, com a elaboração de um
projeto de computador a ser fabricado no país. O esboço desse projeto
foi produzido pela Diretoria de Comunicações da Marinha, DCM com o
intuito de que o país pudesse substituir os equipamentos estrangeiros.
1971 - No ano de 1971 foi criado, em
decorrência das necessidades estratégicas, o Grupo de Trabalho Especial
(GTE) pela já referida Diretoria de Comunicações da Marinha, com
intenção de financiar projetos nas universidades visando à construção do
computador nacional, tendo sido, mobilizadas várias agências e órgãos
do governo.
1972 - Como resposta ao pedido do GTE, em julho
de 1972, o Laboratório de Sistemas Digitais do Departamento de
Engenharia da Eletricidade da Escola Politécnica da Universidade de São
Paulo (USP) apresentou o computador “Patinho Feio”, desenvolvido com
tecnologia nacional.
Satisfeito com os resultados obtidos, o GTE encomendou um novo
protótipo ao Laboratório de Sistemas Digitais da USP (responsável pelo
hardware) e ao Departamento de Informática da PUC dois exemplares: o G
-10 (Projeto Guaranys).
No entanto, civis e militares integrantes do GTE pensavam de
modo diferente sobre a questão da informática e microeletrônica para o
Brasil: os primeiros viam o projeto como algo com destino exclusivamente
militar, enquanto que os civis desejavam desenvolvimento tecnológico
para o mercado de informática.
Portanto em 1972 civis e militares se separaram, fazendo surgir a
Coordenação de Assessoria ao Processamento Eletrônico (CAPRE) ligada ao
órgão que viria assessorar o uso dos recursos informáticos da União.
Porém, a partir de 1976, a CAPRE se transformou num órgão de
política tecnológica, com predominância da ação civil. Logo em seguida, a
CAPRE elaborou um diagnóstico da situação dos recursos humanos na área,
que apontava para um grande déficit de profissionais da área técnica e
esta situação poderia se agravar com a expansão do mercado de
computadores.
Elaborou-se então o Programa Nacional de Treinamento em
Computação. (PNTC) Foi um momento importante na história da Informática
na educação brasileira.
Acusada de internacionalista nas questões de reserva de mercado,
a CAPRE foi extinta, surgindo em 1979 a Secretaria Especial de
Informática da Presidência da República, (SEI) que rapidamente
disciplinou e ordenou as atividades do setor.
Os eventos de 1981 e 1982 o I e II Seminário Nacional de
Informática na Educação – promovidos pela SEI (Secretaria Especial de
Informática), MEC (Ministério da Educação) e CNPq (Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico) – esclareceram que a
informática na educação brasileira deve ser planejada por valores dando
ênfase às questões de formação de recursos humanos com a implementação
de centros-piloto de experiências no setor, sempre de caráter
multidisciplinar.
Em julho de 1983, o Comitê Executivo da Comissão de
Educação/Informática e Educação criou o Projeto Brasileiro de
Informática na Educação (EDUCOM), objetivando a realização de estudos e
experiências para que fossem formados profissionais nesse setor, com o
propósito do ensino e pesquisa, criando programas de informática por
meio de equipes e conteúdos multidisciplinares.
Atendendo a essas diretrizes surgiram projetos como o Formar,
visando à formação de recursos humanos e o projeto para implantação dos
CIEDs Centros de Informática e Educação nos estados do país.
Durante os quase onze anos de existência (1984-1995), os
centros-piloto do EDUCOM tiveram seus resultados satisfatórios, sendo
promovidos pelo empenho pessoal de educadores, pesquisadores e alunos de
diversos níveis junto à própria estrutura das universidades.
Com a desarticulação das políticas públicas das áreas de
Educação, Ciência e Tecnologia no início dos anos 90, os centros-piloto
do EDUCOM não se ampliaram; alguns foram desarticulados e os centros que
sobreviveram tornaram-se ilhas de excelência para as pesquisas das
próprias universidades envolvidas com a informática educativa.
Em 1995, começava a surgir um programa nacional de informática
na educação o Proinfo, vinculado informalmente à Secretaria de
Desenvolvimento, Inovação e Avaliação Educacional – SEDIAE do MEC,
acabando com um paralelismo tecnocrático sempre presente na conduta das
políticas públicas para o setor da informática educativa.
*Oficializado pela Portaria n. 522, de 9 de abril de 1997, o
Proinfo é um programa que visa à introdução das novas tecnologias de
informação e comunicação nas escolas públicas, como ferramenta de apoio
ao processo de ensino e aprendizagem. As diretrizes desse programa são
norteadas pelo Ministério da Educação, por intermédio da Secretaria de
Educação à Distância e pelo Conselho Nacional de Secretários Estaduais
de Educação.
O programa abrange todos os Estados da Federação, onde figura a
Comissão Estadual de Informática na Educação, e seu papel principal é o
de introduzir as novas tecnologias de informação e comunicação nas
escolas de Ensino Médio e Fundamental.
O programa prevê a preparação de profissionais em dois níveis de
atuação: professores multiplicadores e professores das escolas. As
capacitações ocorrem no âmbito estadual, nos Núcleos de Tecnologia
Educacional (NTEs), órgão descentralizado de apoio ao processo de
informatização das escolas. Os NTEs auxiliam tanto no processo de
planejamento e incorporação das novas tecnologias, quanto no suporte
técnico e capacitação dos professores e das equipes administrativas
escolares.
Já ao Conselho de Secretários Estaduais de Educação – CONSED –
compete a formulação das diretrizes do programa e ao Estado
participante, a sua operacionalização, uma vez que tal participação está
condicionada à apresentação de um Programa Estadual de Informática na
Educação, em que esteja previsto o projeto pedagógico de aplicação da
tecnologia, a preparação física das instalações e a capacitação de
professores.
Os professores são selecionados para a capacitação de acordo com
critérios dos programas estaduais; são professores da rede pública, uma
vez que estes são peças importantes para o sucesso do programa.
por Colunista Portal - Educação
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